Publicado por: bcnh | 20/06/2016

“Chegamos num estágio e a gente precisa ir mais adiante…”

A primeira medida desse governo ilegítimo foi extinguir o ministério da Cultura, e isso guarda um simbolismo muito grande, porque o Ministério da Cultura foi a primeira criação da redemocratização, então, no momento em que o Brasil conquista a democracia o Ministério da Cultura surge como um instrumento de qualificar o Estado na sua relação com toda área criativa; com as artes, com o mundo simbólico do país. E no momento que um governo ilegítimo tenta interromper esse processo democrático: a gente tem a extinção do ministério! Mas, o ministério voltou por força da resistência dos artistas, dos trabalhadores da Cultura, dos gestores e da sociedade como um todo. Agora, a recriação do ministério da cultura não resolve o problema  porque cultura exige democracia para ela se desenvolver, exige liberdade de expressão plena, exige republicanismo… ninguém pode ser perseguido, discriminado e preterido por suas opiniões políticas. Os artistas precisam de um território de liberdade muito grande e o Estado tem que ter uma responsabilidade em cumprir seu papel.

A responsabilidade do Estado junto à cultura é intransferível. A área privada tem um papel, a sociedade tem um papel e o Estado tem um papel. Se a gente quer garantir desenvolvimento cultural pro país, ao acesso de todos os brasileiros e brasileiras e ao acesso em todas as regiões do Brasil, o Estado tem uma responsabilidade enorme. São muitas: é responsabilidade de preservação do patrimônio, é responsabilidade no sentido de garantir a infraestrutura necessária: bibliotecas, centros culturais…  que financia atividades que não são rentáveis e só o Estado pode assumir essa responsabilidade. É muito ampla a responsabilidade do Estado na garantia que o país terá o desenvolvimento cultural como um dos principais ativos para enfrentar todos os desafios do século 21.

Esse governo não tem essa possibilidade; porque essa medida de extinguir o ministério e o retorno do ministério da Cultura, fruto de uma pressão, é muito significativa no sentido de como eles veem a questão. O neoliberalismo não tem condições de ter um projeto de nação que incorpore a cultura. Então nós vamos viver momentos difíceis e já estamos vivendo. Uma série de direitos e uma série de processos culturais, que vinham sendo construídos desde 2003, alguns até anteriormente, que nós herdamos dos primeiros governos da redemocratização, estão ameaçados hoje; e nós vamos ter que enfrentar isso. A sociedade brasileira, os artistas, vão ter que manter a mobilização no sentido de garantir esses direitos e esses processos culturais.

Nós temos investimentos importantes, hoje, na cultura. Nós Somos ultra bem-sucedidos com o cinema e com o áudio visual,  hoje, a atividade é superavitária, rende mais do que é investido pelo governo, o que mostra que cultura é investimento, cultura não é despesa. É preciso ampliar inclusive essa responsabilidade do Estado. Chegamos num estágio e a gente precisa ir mais adiante…

Juca Ferreira – Ex-ministro da Cultura

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